As exigências profissionais do home office

25/05/2020
Em meio à pandemia do novo coronavírus, o home office tornou-se a única forma de trabalho viável para milhões de pessoas em isolamento social. Muitas delas, porém, vivem essa experiência pela primeira vez e têm sofrido para se adaptar e aprender técnicas sobre como serem produtivas longe da empresa, ao mesmo tempo mantendo-se saudáveis. Uma pesquisa realizada pelo Banco Original, em parceria com a consultoria 4CO, mostrou que 57% dos brasileiros afirmam que o home office está mais cansativo, apesar da rotina ser menos agitada. Para os entrevistados, o fato de estar em casa faz com que pensem muito mais no trabalho do que estavam acostumados.

Este é o caso da publicitária Luísa Diniz, 32 anos. Segundo ela, sua rotina, além de mais cansativa, tem ficado mais estressante. “Antes já era complicado, agora, eu fico o tempo todo online no WhatsApp para tirar dúvidas de clientes, discutir projetos, O desgaste é muito maior”, diz ela, afirmando que, com toda família em casa, as dificuldades têm aumentado. “A internet se sobrecarrega, porque as crianças têm aula online, e meu marido vive em reuniões da empresa em que trabalha”, conta. Luísa acredita que, sem a quarentena, o processo de adaptação ao home office seria melhor. Isso também é o que pensam oito em cada dez dos entrevistados pela 4CO.
 
A pesquisa revelou, ainda, que 70% das pessoas em regime de teletrabalho consideram que produzem igual ou mais que no período antes da pandemia. O professor universitário Amaro Braga, 40, faz parte do grupo que viu a produtividade aumentar durante o home office. “É uma pressão que nos impomos. Eu me sinto na obrigação de fazer mais do que fazia antes do isolamento social”, afirma ele, contando que, somente neste mês, deve participar de oito bancas de avaliação e trabalhos, entre graduação, mestrado e doutorado. “É um número maior que o normal.”

O assistente administrativo Deyvson Barbosa, 27, tem começado a jornada antes do horário e terminado depois. Ele também tem reduzido o intervalo de almoço e dormido menos que antes da pandemia. “Se você sofre de ansiedade e tem que fazer entregas rapidamente, o home office te estimula a não cumprir os momentos de descanso”, conta ele, afirmando que se sente pressionado para se manter disponível o tempo todo e responder às demandas instantaneamente. O jovem está entre os 60% de pessoas que têm passado muito mais horas trabalhando no regime de teletrabalho. Deyvson integra ainda o grupo que perdeu a noção de descanso durante o home office, que são 52% dos profissionais que trabalham de casa.
 

                   Imagens: Free-Photos por Pixabay 
 

Para o coordenador da pesquisa, Bruno Carramenha, o home office veio para ficar, mesmo com o fim do isolamento. Por isso, é necessário que os profissionais encontrem um equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. “Quando as pessoas viram suas atividades profissionais entrar em casa, elas viram a união entre o que é pessoal e o que é emprego. É preciso buscar essa diferenciação”, diz Bruno, apontando que muito provavelmente o teletrabalho vai se fortalecer ao fim da pandemia. “A quarentena tem provocado reflexões sobre o futuro da forma de trabalho a partir de agora”, pontua.
 

Se não encontrado o equilíbrio sugerido por Bruno, o home office pode fazer com que a Síndrome de Burnout – distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante – se agrave durante a pandemia. Segundo a psicóloga e professora universitária Geórgia Menezes, os funcionários que repentinamente passaram a trabalhar de casa podem estar mais propensos ao problema. “O home office é carregado de estresse. Isso porque o lugar que antes era usado apenas para o descanso e relacionamento com a família, virou uma extensão da empresa”, explica Geórgia.

Para evitar que a pessoa passe mais tempo trabalhando que o normal, como apontado no estudo da 4CO, a psicóloga ressalta que é preciso cuidar da saúde mental. “Estabeleça uma rotina adequada para este novo tempo e entenda que nós devemos dar uma pausa para momentos de prazer, sono e tranquilidade”. Entre as dicas para garantir o bem-estar, Geórgia afirma que as pessoas têm que se cobrar menos, a fim de evitar frustrações. Além disso, ela lembra que, apesar do distanciamento físico, é preciso cultivar os afetos no cotidiano da pandemia. “Separe um momento para ligar para alguém, converse e se distraia um pouco”, pontua a psicóloga, sugerindo também que as pessoas tentem ver o lado bom do home office.

Do Jornal do Commercio

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