Dicas de empreendedores para tentar lucrar na Páscoa

06/04/2020

Confira a reportagem abaixo, publicada no Jornal do Commercio, que fala sobre a criatividade de empreendedores, grandes, médios e pequenos, para tentar garantir um pouco de rendimento durante a Páscoa. O delivery, mais uma vez, é a grande aposta. Leia e busquem inspiração.

 

Criatividade para não perder a doçura durante a pandemia do coronavírus

A Páscoa deste ano deverá ser menos doce. A uma semana da data, indústria, comércio e produtores artesanais amargam frustração de expectativas. Todos esperavam um crescimento no volume de vendas de até dois dígitos em 2020. No entanto, o isolamento social determinado para barrar o contágio do novo coronavírus tem causado recuo nas produções – e feito os empresários que lucram nesse período da Quaresma criarem soluções para seus negócios.

Antes da crise imposta pela covid-19, o varejo estava otimista para a data, com estimativa de alta entre 5% e 10% nas vendas. Ainda no início do mês de março, havia a previsão de que o preço do tradicional ovo de chocolate chegasse a subir cerca de 2% em relação ao passado. Agora, do pequeno ao grande negócio, a previsão é de prejuízo, já que muitos investimentos em insumos, e na cadeia de produção, já tinham sido feitos.
A Lacta, marca da multinacional Mondelez, chegou a fazer um ajuste no posicionamento, adotando como slogan: “Lacta. Cada pedacinho aproxima. Mesmo estando cada um na sua toca”. A ação incentiva as pessoas que desejam celebrar a Páscoa, seja recebendo o chocolate em casa, seja mandando um ovo de presente para alguém que está distante.

“Com o cenário atual, intensificamos os esforços e investimentos em e-commerce (www.lactaemcasa.com.br). Antecipamos os descontos para evitar as aglomerações que costumam acontecer nos últimos dias e a sobrecarga de pedidos online”, disse a empresa, em nota ao. A Nestlé, por sua vez, diz que “nesse momento, é muito cedo para quantificarmos o impacto nos negócios da Nestlé como um todo, e com a Páscoa não é diferente. Esta é uma data importante para o varejo brasileiro e os pontos de venda já haviam sido abastecidos anteriormente”.

Grande conhecida dos amantes de chocolate, a marca pernambucana Cia do Cacau esperava vender cerca de 25% a mais do que em 2019. A expectativa era produzir 280 toneladas de chocolate, mas a linha de produção foi suspensa no último dia 10 de março, quando já havia alcançado a marca das 150 toneladas. Agora, para tentar dar vazão ao produto, a empresa tem investido em vendas pelas redes sociais da marca (@ciadocacauoficial) e WhatsApp, drive thru e delivery. Uma das proprietárias do Grupo Souza, detentora das marcas Cia do Cacau, Planeta Bombom, Center Doces e Recife Doces, Juliana Souza conta que o coronavírus foi um banho de água fria para 2020. “A Páscoa é a principal sazonalidade do nosso negócio. Criamos grandes expectativas, mas essa crise faz a gente se reciclar e oferecer novidades para os consumidores”, desabafa a empresária.

Juliana conta que, por ter um de seus pontos de venda classificado como supermercado, está autorizada a ter uma das lojas abertas. O local tem sido usado como central logística para os clientes que encomendam irem buscar os produtos, sem descer do seu veículo. Outra opção encontrada partiu de uma ação do RioMar, onde a empresa tem uma loja. O serviço de entrega gratuita ainda congrega outras marcas com artigos relacionados à Páscoa, como Kopenhagen, Lugano (Gramado), San Paolo Gelato, Campo da Serra e até Cia do Dengo. “O delivery tem sido uma opção muito importante. O RioMar chegou junto dos lojistas e está oferecendo uma solução gratuita para o consumidor nesse caminho. Uma pena que a cultura de consumo do brasileiro ainda seja muito de pegar, cheirar, sentir mesmo o produto, o que impede o crescimento exponencial do nosso negócio no e-commerce”, analisa Juliana Souza.



A empresária ainda conta que outra estratégia foi antecipar os preços promocionais que surgem no pós-Páscoa. “Temos um ovo premium de chocolate ao leite (190g) que custa R$ 23,90. Fizemos a promoção leve um e o outro sai pela metade do preço, além de um brinde. Se não fosse a crise, talvez nem lançássemos essa promoção”, comenta a empresária. De acordo com Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), o negócio que gira em torno da Páscoa não afetou tanto a fase de produção porque é algo programado desde, pelo menos, o meio do ano passado. No entanto, o varejo preocupa o setor, ainda mais com comércios, incluindo shoppings, fechados. Em nota, a associação ratifica: “As indústrias estão trabalhando em conjunto com os pontos de venda para garantir a organização e disponibilidade dos produtos, além de também estarem fortalecendo seus serviços de atendimento via internet e por delivery como alternativas”.

Enquanto as grandes empresas tentam se ajustar e recalculam previsões, pequenas empreendedoras do ramo de alimentação, como a confeiteira Mariana Queiroz, nome por trás da marca @marilu_doceriagourmet, já tenta se reinventar para evitar prejuízos. Esta seria a quarta Páscoa dela, que começou a atuar no segmento justamente nesse mesmo período de 2017. “Nos anos anteriores, eu vinha conquistando clientela. Este ano minha expectativa era ter um aumento de 25% em relação a 2019 porque muita gente já estava fazendo encomendas. Agora as coisas mudaram”, relata Mariana Queiroz.

A confeiteira não sabe informar quanto já havia investido na Páscoa de 2020, mas revela que tinha comprado muitos insumos para ovos gourmets e produtos derivados. “Estou usando o material que já comprei para fazer outras opções, como cones trufados e bolos de cenoura com chocolate, para não depender apenas dos ovos. Além disso, estou colocando todo mundo da família para fazer entregas para mim”, conta ela, que agora já não sabe se alcançará nem sequer o faturamento médio das páscoas anteriores, que girava em torno dos R$ 3.500.

Do Jornal do Commerico


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