Domínio sobre gastos ajuda a avançar na profissão

07/05/2018

O domínio sobre o que se ganha e gasta, além de proporcionar o bem-estar na vida pessoal, pode ser um grande aliado no mercado de trabalho, ajustando a contabilidade de profissionais com renda variável e melhorando o desempenho dos trabalhadores assalariados. E razões não faltam para buscar esse domínio. No mundo todo, a cada três adultos, dois são considerados analfabetos financeiros. No Brasil, a taxa chega a atingir 35% desse grupo e coloca o País na 74º posição de um ranking global sobre educação financeira com outras 140 nacionalidades, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

A publicitária Juliana Lisboa, 42, vivenciou durante seis meses a experiência de aprender a gerenciar o uso dos seus rendimentos. Com reuniões mensais envolvendo toda a família, ela passou a registrar em um aplicativo tudo o que é gasto por eles e, como tem parte da renda atrelada a trabalhos desenvolvidos como freelancer, passou a ter mais segurança em relação ao valor da quantia recebida a cada mês.

“O perigo realmente estava nos gastos menores, como taxas abusivas de seguros e contratos. A gente tem meio que um hábito de ir gastando e só se preocupar em economizar depois que vê o tamanho da fatura. Eu passei a ter consciência financeira e acompanhar esses gastos diariamente”, conta ela. Apesar de também manter um emprego assalariado, Juliana tinha dificuldades para fechar as contas em casa, já que o marido é músico e tem a renda baseada em contratos e shows realizados. “A gente passou a tentar se pagar primeiro. Esse não é um hábito comum a quem é freelancer ou autônomo, mas, antes de quitar as dívidas, é preciso estabelecer o quanto vai ser recebido e planejar a finalidade do restante. A redução dos meus gastos já chega a 20% do que era antes”, afirma.

Para o mentor Leandro Trajano, especialista em educação e planejamento financeiro, para se tornar uma pessoa educada financeiramente é importante ter um bom conhecimento de todas as despesas, tendo cuidado com a oferta de crédito e os gastos rotineiros desnecessários. No universo profissional, segundo ele, a educação financeira pode ser favorável tanto a médicos, advogados, personal trainers, microempreendedores e autônomos, que geralmente têm renda variável, quanto a trabalhadores assalariados. 

“Um problema muito grande de quem empreende é não separar a pessoa física da jurídica. Se você fatura pelo escritório, do total desse faturamento nada deveria ser retirado para pagar despesas à parte. Infelizmente, as pessoas se perdem e misturam tudo, ficando sem saber se o prejuízo está no negócio ou em casa”, confirma Leandro Trajano. “Os demais profissionais, que trabalham de forma assalariada, têm como benefício proporcionado pelo conhecimento financeiro a regularização dos débitos e, com isso, a melhora na vida social e desempenho profissional. Quem não tem preocupação com acumulo de dívidas, consequentemente é mais feliz; isso reflete na capacidade de produção”, complementa.

Do JC


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